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Falha ao volante causa congestionamento

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Michael Schreckenberg, professor da Universidade de Duisburg-Essen especializado em transito e engarrafamento, fala sobre um dos maiores aborrecimentos no tráfego. Seu trabalho oferece valiosas informa??es para aprimorar a mobilidade do futuro.
Andreas Neemann, Julho 04, 2019
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Andreas Neemann escreveu seu primeiro texto para a ZF em 2001 sobre as transmiss?es 6HP e tem contribuído com várias publica??es para leitores internos e externos, mostrando sua paix?o pelos tópicos mais complexos da empresa.

Professor Schreckenberg, o que provoca paralisa??o do transito?
Nas rodovias, em 60% a 70% dos casos, a origem simplesmente é o número excessivo de veículos. O tráfego na mesma dire??o é muito intenso, o que rapidamente leva a uma lentid?o no fluxo, mas que ainda se move a uma velocidade entre 10 e 30 km/h. Assim que alguns motoristas freiam bruscamente ou mudam de repente de faixa, for?ando os outros condutores a pisar no pedal do freio, tudo acaba parando. Uma onda de engarrafamento se desenvolve no sentido contrário do transito e se alastra a uma velocidade de 15 km/h. Em algumas situa??es, esses congestionamentos até mesmo podem mudar de estrada pelas vias de acesso.
Isso significa que todo engarrafamento é desencadeado por falha humana?
Nas obstru??es do tipo que acabei de mencionar, pode-se dizer que sim. De todos os gargalos registrados no transito, 30% a 40% têm uma causa específica, como um acidente ou estreitamento da pista devido a obras. Nessas circunstancias, a atitude individual ao volante também pode ajudar a refrear o fluxo, mas n?o na mesma propor??o. Um exemplo é o “princípio do zíper”, no qual um veículo de cada faixa entra alternadamente na fila. O mesmo vale para 2% das paralisa??es provocadas pelas condi??es do tempo, como baixa visibilidade decorrente de neblina ou chuva forte.

As rodovias (da Alemanha) est?o ficando mais vulneráveis a congestionamentos?
Sim, mas isso n?o surpreende. Com uma extens?o total em torno de 13 mil quil?metros, as rodovias alem?s representam uma parte comparativamente pequena da malha viária do país. Contudo, elas concentram cerca de um ter?o do tráfego.
Que dados s?o importantes para pesquisar engarrafamentos?
Temos acesso às informa??es digitais do transito atualizadas a cada minuto. Além disso, usamos “floating car data”, que s?o informa??es anonimizadas sobre o deslocamento dos veículos, que recebemos no contexto da parceria com fabricantes de sistemas de GPS. Para fazer análises em áreas delimitadas, nós mesmos coletamos os dados da movimenta??o e posicionamento utilizando equipamentos de GPS.
“As empresas precisam investir expressivamente no transporte público para reduzir o número de paralisa??es no transito.”
— Prof. Dr. Michael Schreckenberg

O que acontece com os dados brutos?
Nós desenvolvemos modelos estatísticos para entender melhor o fen?meno do congestionamento e, na melhor das hipóteses, fazer previs?es. Podemos dizer que elaboramos uma teoria da paralisa??o do transito e a testamos na prática. Com os resultados que obtemos, prestamos assessoria a políticos, organiza??es e empresas.
A obstru??o das ruas dos centros das cidades também faz parte de seu trabalho?
é bem mais difícil fazer a simula??o e elaborar modelos teóricos do transito urbano, já que ele envolve uma série de imprevistos e efeitos de reciprocidade, como cruzamentos, tráfego parado, veículos que trocam de faixa e outros usuários das ruas, como ciclistas e pedestres.

Qual é o dano financeiro que os gargalos no transito causam na economia alem?, por exemplo?
Fizemos um cálculo baseado em um congestionamento com quatro quil?metros de extens?o abrangendo duas pistas e com dura??o de quatro horas. A velocidade média desse fluxo foi fixada em 10 km/h e n?o em 80 km/h. Consideramos uma propor??o média de viagens condicionadas pelo trabalho, o que inclui transportadoras e pessoas no caminho de ida e volta do emprego. Ao contabilizar o impacto dos atrasos causados apenas por esse engarrafamento, chegamos a um valor entre 50 mil e 100 mil euros. Se extrapolarmos esse montante para o volume total de paralisa??es nas ruas e estradas da Alemanha, o prejuízo chega na casa dos 80 bilh?es de euros ao ano. Sem contar a polui??o ambiental adicional que esse congestionamento provoca, n?o incluída nesse c?mputo.
80 bilh?es de euros
é o dano financeiro que os engarrafamentos causam anualmente à economia alem?.

Como o número de engarrafamentos pode ser reduzido?
A única coisa capaz de ajudar é diminuir – ou pelo menos n?o continuar aumentando – a quantidade de veículos. Isso funciona se outros meios de transporte estiverem disponíveis. O sistema público coletivo pode ser uma boa solu??o. As empresas têm que investir maci?amente nessa área. Também é preciso fazer uma maior integra??o dos meios de transporte existentes.
Qual é o desafio com rela??o à integra??o inteligente do transito?
Quando o assunto é mobilidade automatizada, o problema que identifico é que carros aut?nomos estar?o trafegando lado a lado com automóveis guiados por humanos. Como os modelos sem condutor agem de forma defensiva, tudo indica que o fluxo terá uma desacelera??o de aproximadamente 20%. O panorama mudará no momento em que a frota de veículos for praticamente composta apenas por vers?es aut?nomas. Nessa fase inicial, eu n?o contaria com nenhum milagre da condu??o aut?noma.
O que pode ser feito para descongestionar os centros urbanos?
Na minha opini?o, a forte amplia??o do sistema de transporte público é a melhor saída. Algumas cidades já come?aram a oferecer op??es locais gratuitas. O sucesso da implementa??o da intermodalidade, sobretudo se for previsto que as pessoas deixem o próprio carro parado e usem servi?os de trens urbanos para ir e voltar do trabalho, dependerá muito da disponibilidade de estacionamentos do tipo “park and ride” (estacione e embarque, em tradu??o livre). Contudo, muitos centros urbanos ainda n?o têm esses espa?os.

Prof. Dr. Michael Schreckenberg
é físico teórico e realiza pesquisas sobre congestionamentos. De sua coautoria, o modelo de Nagel-Schreckenberg definido em 1992 é o estudo científico sobre simula??o do transito mais citado. Seu instituto analisa os mais diversificados meios de transporte, incluindo carros de passeio, trens, veículos terrestres em aeroportos e até desfiles de carnaval.

#MobilityLifeBalance

Em uma nova campanha, a ZF coloca as pessoas e suas demandas de mobilidade no foco das aten??es, destacando potenciais de melhora.

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